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Caros colegas, amigos e superiores hierárquicos,

Todos temos consciência que a língua portuguesa é uma língua poética, extremamente rica e versátil.
Não obstante, o português, em geral, não é uma língua ilimitada, estática, completa e definitiva, tendo evoluído no tempo em função das novas circunstâncias e dos novos conceitos que foram surgindo subsequentemente.

A prova mais evidente das limitações da língua portuguesa encontra-se patente na quantidade de anglicismos, franquismos e outros estrangeirismos que, de bom grado, fomos integrando formalmente na nossa linguagem ao longo da história, fruto do contacto e miscigenação com outras culturas, tão tipicamente lusitanos.

À semelhança de outros termos importados do Novo Mundo na época dos Descobrimentos (que se juntaram aos termos de raiz etimológica latina, grega, árabe, fenícia e celta, entre outros, já há muito aceites como "portugueses"), a terminologia  tecnológica do atual "Novo Mundo" da informática foi, também ela, incluída na expressão oral e escrita do nosso povo, malgrado todos os esforços no sentido de encontrar expressões equivalentes no idioma luso.

Em boa verdade, além de a maior parte das expressões "informáticas" ficar "lost in translation" quando se tenta forçar uma tradução, o ritmo a que "nascem" é impressionante, são cada vez mais específicas (específicas demais para uma palavra só) e, acima de tudo, são aceites com naturalidade e de forma quase imediata por todos os nativos, fazendo com que os equivalentes "à pressão" soem a algo bizarro, absurdo, incompleto, caricatural, traduzido por um qualquer tradutor automático, como é o caso da "descarga" para download e outras situações afins.

Creio portanto que todos nós "torcemos o nariz" variadíssimas vezes, ao sermos forçados a traduzir no Gengo vários termos quase ou mesmo impossíveis de traduzir, para não nos sujeitarmos a uma redução na classificação e à reprimenda típica: "Embora para uma grande parte dos portugueses este termo possa ser reconhecido, nem todos os portugueses reconhecem termos estrangeiros, pelo que deve sempre facultar-se um equivalente em português". E depois de traduzirmos, olhamos para o que escrevemos com a mesma impressão que qualquer leitor terá ao encontrar tais palavras: "que raio de coisa mais esquisita! Será que querem dizer "download"?

Pois bem, caros colegas, amigos e superiores hierárquicos (que nem por isso deixam de ser amigos, também)... esta opinião não é SÓ MINHA. Muito pelo contrário. E é por este motivo que a Porto Editora inclui todas as expressões mais específicas do "Novo Mundo" da informática nos seus dicionários, SEM QUALQUER ALTERAÇÃO NA GRAFIA.

Aqui ficam vários links para o Dicionário de Português revisto com o Novo Acordo Ortográfico da Porto Editora (peço desculpa pela publicidade), acessível a todos, gratuitamente, através da Infopedia.

A quem de direito: está na hora de fazermos uma boa revisão ao guia de estilo para as traduções em língua portuguesa, não concordam?

Grato pela vossa atenção.

Nelson Brás

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/download

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/upload

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/software

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/firewall

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/Email

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/Hardware

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/homepage

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/link

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/online

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/script

http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/browser

 

... e muitas, muitas, muitas mais.

1 comment

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    Nelson Bras

    Errata: onde se lê "franquismos", deverá ler-se "galicismos". Peço desculpa pelo lapso, devido à emoção do momento e ao facto de estar a traduzir algo relacionado com o tema.

    Cumprimentos,

     

    Nelson Brás

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